#239: Mas, eu só quero dormir...

By Jessica Bottari - quarta-feira, fevereiro 24, 2016


Acordo enrolada no edredom irritada com o calor. Quem entrar no quarto agora pensará que sou maluca por estar coberta nesse calor de mais de 40º, mas a temperatura estava muito melhor quando o ar condicionado estava ligado. Por que meu pai cisma de desligá-lo antes de ir para o trabalho? Não é culpa minha estar de férias. Eu deveria poder aproveitar o ar mais um pouco!

Pego o celular para checar a hora. Ainda está cedo, mas quem consegue dormir num calor desses? Começo a juntar forças para levantar quando noto notificação no celular. Quem está me mandando mensagem a essa hora?!

08:02: Amiga, estava pensando em ir na praia hoje. O que você acha? Mas precisamos ir cedo!

08:11: Amiga, você está acordada? ACORDA E ME RESPONDE!!

Praia? Desde quando eu vou a praia? Pele queimada, areia grudada, água viva, sem falar do cabelo que fica um lixo! Digito a resposta:

Praia? Sério? Eu não gosto de praia. Você sabe disso. Vai dormir que está muito cedo!

Não demora muito e telefone toca. Atendo logo no primeiro toque.

- Hello - digo dando meu cumprimento padrão

- It's me...

- Nossa, que original!

- Quanto mal humor! Se está assim de manhã, não quero nem ver quando chegar no final do dia.

- Está calor! Quem consegue ficar de bom humor quando está derretendo?

- Eu sei. Por isso te convidei para ir a praia. Eu sei que você não gosta, mas o que adianta ter um cabelo macio e ser infeliz? Hidratação dá um jeito depois. Passo aí daqui a 30 minutos. É melhor estar pronta.

E com isso, ela desliga o telefone. Eu e Anna somos amigas desde sempre e ela está sempre tentando me fazer "aproveitar a vida", mas ela não entende que eu aproveito a vida de uma forma bem diferente. 

Quando a campainha toca, já estou pronta. Biquíni, óculos de Sol e um humor digno de comediante. 

- Pensei que teria que te arrancar da cama a força - diz Anna.

- E não foi o que você fez? Ameças não são um jeito muito suave de convidar alguém para sair - e abaixando a voz completo - Deve ser por isso que você está solteira...

- O que você disse?

- Nada.

Ela aceita a resposta e seguimos para o ponto de ônibus. Ótimo. Um ônibus cheio e sem ar condicionado. Meu dia só melhora.

Chegamos na praia depois de um hora e meia. Está cheia, mas não lotada. Uma benção de vir a praia durante a semana.

- Então, o que você quer fazer? - pergunta Anna.

- Ir para a casa.

- Podemos fazer stand up. Aquele cara está alugando a prancha. Não está caro.

Aceito a proposta. O rapaz nos ajuda a colocar a enorme prancha dentro da água e a subir. Quem olha de fora pensa que é fácil, mas com as ondas e as pessoas em volta, acaba sendo bem difícil de guiá-la e ainda ficar em pé.

Anna trouxe a câmera para registrar o raro momento de ir à praia comigo e começa a gravar nossas tentativas frustradas de permanecer em pé na prancha. Quando estava começando a compreender o mecanismo da coisa, Anna me empurra porque eu já estava muito tempo em pé. É claro que devolvi na mesma moeda.

No final, estávamos mortas de cansaço e com a bochecha e barriga doendo de tanto rir. Apesar da minha vontade inicial de ficar em casa, precisava admitir que valeu a pena. Quando se está entre amigos, tudo fica melhor.

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