29.3.17

#258: Carta à um artista solitário


Caro artista,

Não sei se você está assim porque quer ou porque a vida te levou por esse caminho. Às vezes, criar na solidão é bom. Nada te distrai da sua arte e não aparece ninguém perguntando o que você está fazendo. Mas, nada em excesso é bom. Inclusive a solidão.

Saia com os amigos, converse com as pessoas, ria, se aventure por um lugar desconhecido, chore, grite, se orgulhe e se decepcione que, eu te garanto, sua criatividade só irá aumentar. Não adianta ficar na sua zona de conforto eternamente. Coisas boa só acontecem conosco quando saímos de nossa caixa e olhamos o mundo em volta.

Coisas ruins também acontecerão, é claro, mas é com elas que aprendemos. Sempre podemos tirar algo bom de tudo o que fazemos. Não deixe seu medo de viver te afastar das pessoas. Aposto que elas sentem sua falta. Ou vai me dizer que desde que você sumiu ninguém te procurou? Eu não acredito nisso.

Para mim, está tarde demais. Não tenho mais amigos, minha família não liga para mim e tudo isso foi porque me preocupei mais em trabalhar para fazer dinheiro do que aproveitar o que eu já tinha. A vida é feita de equilíbrios. Encontre o seu.

Atenciosamente,
Outra artista

22.3.17

Resenha: Jovens de Elite


Autor(a): Marie Lu
Editora: Rocco
Páginas: 300
Ano: 2014
Classificação: ✰✰✰✰✰

Sabe quando você pega um livro para ler, acha que vai ser bom, mas percebe que ele é incrível? Então, foi exatamente isso que aconteceu comigo. Jovens de Elite não é um livro cansativo e nem demora para ficar interessante. Ele é apaixonante do início ao fim!

Adelina vive em uma época em que várias pessoas foram contaminadas por uma febre misteriosa. Algumas pessoas morreram, algumas ficaram marcadas, mas poucas ganharam habilidades especiais. Os marcados são conhecidos como malfettos e os que são poderosos podem ser recrutados para um grupo conhecido como Jovens de Elite.

Porém, engana-se quem acha que ter sobrevivido à febre e ganhado poderes é algo bom. Os malfettos não dão orgulho a ninguém, muito pelo contrário. E os suspeitos de possuírem qualquer tipo de poder são queimados vivos em uma praça.

Jovens de Elite é uma história que mostra um cenário muito conhecido e abordado - caça às bruxas -, mas de uma forma nova e livre de clichês (na maior parte do tempo) e isso foi o que mais me encantou! Adelina está muito mais para vilã do que para mocinha, porém, como é ela quem narra, às vezes fica difícil de identificar em qual dos dois ela se encaixa. Ela é culpada de muitas tragédias que ocorrem durante o livro, mas nem sempre ela tem essa intenção. Isso me fez parar muito para refletir porque nem sempre as pessoas que consideramos ser os vilões, são na realidade. É tudo ponto de vista; e toda história tem mais de um ponto de vista.

Apesar de ter criado uma história encantadora e escrever maravilhosamente bem, a autora não soube desenvolver o romance. É algo muito: sabia que ia acontecer, mas não vi acontecendo. Conforme a leitura se desenvolve, fica óbvio quem fica com quem, porém, tudo acontece de repente. Não tem um clima e nem parece que eles tem química. É algo muito raso e não parece que tem sentimento envolvido.

Os personagens secundários dão um toque muito bom ao enredo, mas poderiam ter sido mais desenvolvidos. Explorar mais seus pensamentos, sentimentos e história teria deixado o livro mais rico e matado a minha enorme curiosidade de conhecê-los. Espero que Marie Lu os desenvolva mais no próximo livro.

Tirando esses pequenos pontos negativos, Jovens de Elite foi um livo que entrou na minha lista de favoritos e fez com que uma das minhas metas seja fazer com que todos leiam essa história maravilhosa! :P

Para quem se interessou, a série é uma trilogia. O segundo livro é Sociedade da Rosa e o último livro será lançado no segundo semestre deste ano \o/

Já leram esse livro? O que acharam? Pretendem ler? Me contem nos comentários ;)

8.3.17

Dia Internacional das Mulheres


Pensei em várias maneiras de escrever um post aqui no blog que representasse bem todas a mulheres do mundo. Todas as lutas, todos os direitos que não temos e todos os que estamos querendo conquistar. Mas, isso não é possível, porque cada mulher é única. Buscar uma única forma de nos representar é apenas aceitar todos os rótulos que a sociedade impõe, por essa razão, escolhi dizer apenas Feliz Dia das Mulheres a todas nós. 

Não importa se você vai à manifestações ou se apoia de casa, seus sonhos, seus desejos, suas lutas, sua religião, sua orientação sexual, seu gênero, sua classe, sua cor, se trabalha em casa ou se trabalha fora, se sonha em ser mãe ou prefere não ter filhos; o que importa é que você é mulher e merece sim esse dia tão especial.

Que nosso dia seja muito feliz e que possamos viver em um mundo onde não nos neguem nenhum direito.

Para quem não sabe, teremos manifestações em todo o mundo. Procure o lugar mais próximo a você e lute pelos seus direitos.


8.2.17

Resenha: Um livro para ser entendido


Autor(a): Pedro HMC
Editora: Outro Planeta
Páginas: 239
Ano: 2016
Classificação: ✰✰✰✰✰

Tive o prazer de conhecer o canal no YouTube do autor recentemente, e desde o início, se tornou um dos meus canais favoritos. O Põe na Roda é um canal criado por ele para falar de assuntos relacionados a comunidade LGBT - especialmente os Gs que são os mais mencionados - e ajudar não só os membros, mas também os que se solidarizam com a causa, a conhecer mais sobre a diversidade que está tão presente no nosso mundo e que está tomando cada vez mais espaço na nossa sociedade.

O livro não é um romance, na verdade, não sei muito bem onde ele se encaixaria porque sou péssima para separar gêneros, mas eu diria que é um auto-ajuda, pois é isso que ele faz: ajuda. Não só os "unicórnios" - como são chamados carinhosamente, por algumas pessoas - mas, a todos os que querem abrir a mente para entender essa comunidade que está ganhando tanta visibilidade e conquistando, aos poucos, os direitos que merecem. E se você é uma dessas pessoas mente aberta, deixo o que vocês irão encontrar ao ler esse livro:

"Por isso, você, entendido ou não entendido, é muito bem-vindo para ler este livro e ficar entendendo algumas coisas, como: nasce ou torna-se gay? Desde quando sou gay? Por que tantos rótulos? E o estereótipo? O que são as muitas letras da sigla LGBT? Meu amigo é gay? O que não dizer pro meu amigo gay? Como é viver no armário? Como se assumir? E a família tradicional brasileira? E a Bíblia? E os homofóbicos? E, principalmente, QUEM ESSE VIADO PENSA QUE É pra falar sobre todos esses assuntos? Fez a chuca e tá querendo cagar regra agora? Meu Deus, o que ele acabou de dizer? Pois bem, seria legal você ler este livro pra entender muitas dessas coisas."

Deu para notar que o livro fala de muitas coisas, não é? Além de todos esses tópicos, o livro também conta com QR Codes que te direciona aos vídeos do Põe na Roda que abordaram os assuntos do capítulo, aprofundando o tema. Como já assisti todos os vídeos do canal, não assisti novamente enquanto lia, mas vale muito a pena parar um pouquinho para ver. Alguns são muito emocionantes e ajuda a nos colocar no lugar no outro.

Como já está bem claro pela quantidade de estrelas que eu dei, amei o livro. Não só pelo conteúdo, mas pela linguagem informal usada. Deixou o livro menos "sério" e mais dinâmico. Sem parecer que estamos tendo uma aula, mas conversando com um amigo nosso. Além de tornar o livro mais fácil de ler, nos arranca boas risadas com as expressões usadas.

Acharam o livro interessante? Pretende ler? Me contem nos comentários ;)

4.10.16

Resenha: Simon vs. a agenda homo sapiens

Créditos da Imagem: Beyond Blue Doors
Autor(a): Becky Albertalli
Editora: Intrínseca
Páginas: 212
Ano: 2016
Classificação: ✰✰✰✰✰

O que falar de um livro que eu li em 5 horas, numa noite de domingo com aula no dia seguinte? 

Apesar, de ter ficado interessada no livro no evento do Intrínseca, não tive certeza se o leria. Tenho mania de adicionar vários livros na lista do Skoob, mas nunca lê-los de fato. Um péssimo defeito para se ter :P

Simon é um adolescente que é gay, mas que nunca contou a ninguém. Não que ele tenha medo de que a família dele irá o rejeitar, mas eles gostam de fazer todo acontecimento, por mais monótono que seja, virar o acontecimento do ano e ele não acha que "Sair do Armário" seja algo que merecesse tanta atenção, até porque, ser hétero não deveria ser considerado o normal.

Em um site anônimo do Tumblr, ele conhece Blue. Um menino que também é gay e entende perfeitamente o que Simon está passando e sentindo. Eles começam a trocar emails e se apaixonam, mas apesar de estudarem na mesma escola, eles não sabem quem são pois se escondem atrás de nomes falsos.

Tudo ia bem, até que Simon esquece o email aberto no computador da escola e Martin descobre essa conversa e começa a chantageá-lo. Com medo de que Martin possa destruir seu relacionamento com Blue antes mesmo de começá-lo, Simon cede a ameaça.

Simon vs. a agenda homo sapiens se tornou um dos meus livros favoritos - e para vocês verem como eu o amei, já estou relendo! - apenas por apresentar relacionamentos maravilhosos. Não só romântico, mas entre amigos e família também.

Simon é rodeado de pessoas incríveis que o aceitam e o amam do jeito que ele é e isso foi uma coisa que me deixou muito feliz ao ler. Não li muitos livros com personagens homossexuais, mas nos que eu li, SEMPRE tem alguém que é contra e decide ou ignorar essa informação, ou tentar fazer a pessoa "mudar de ideia". Algo totalmente idiota.

O romance de Simon e Blue é incrível! A forma como eles se entendem e se apaixonam perdidamente um pelo outro através de simples emails foi maravilhoso. Vivemos em um mundo que as aparências valem muito mais do que deveriam. Felizmente, não são todas as pessoas que possuem esse pensamento, mas ainda tem gente que pensa assim. No livro, eles se apaixonam apenas pela personalidade um do outro. Pela forma como eles escrevem o que sentem.

Tenho poucas reclamações. Achei a descrição da autora um pouco pobre. Em alguns livros, como em "Extraordinário", isso é feito com um propósito. Porém, nesse se teve algum, não consegui identificá-lo. Também achei o final corrido. Parece que ela tentou finalizar o livro com o menor número de páginas possível e isso acabou deixando alguns personagens sem um final apropriado.

Bom, tirando esses dois pontos, o livro é incrível! Becky conseguiu escrever um romance maravilhoso sem ter todas aquelas melações que encontramos em alguns romances.

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